Wednesday, October 13, 2010

A Bahia de Jubiabá em fotografias de Pierre Verger

Minha dissertação intitulada A Bahia de Jubiabá em fotografias de Pierre Verger foi escrita como parte das atividades do Mestrado em Artes Visuais que cursei na Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, tendo como orientador o professor Dr. Eugênio de Ávila Lins.
Defendida em 2005, apresenta múltiplos aspectos vinculados à comunicação, fotojronalismo, cultura baiana, artes, literatura... já apresentando o caráter interdisciplinar que sempre me interessou. Sobre a dissertação, vai aqui o resumo, em português e francês:

Esse trabalho visou estabelecer relações entre as fotografias que compõem o livro Retratos da Bahia, feitas entre 1946 e 1951 por Pierre Verger e o romance Jubiabá, publicado em 1935, por Jorge Amado, partindo do princípio de que ambos tratam da cidade de Salvador e têm o homem do povo e sua existência como temática principal. Fruto de uma pesquisa comparativa e interdisciplinar, buscou destacar padrões capazes de identificar, nas fotografias de Verger, elementos intrinsecamente relacionados a valores e práticas presentes em Jubiabá, considerando a importância do movimento modernista e o papel da indústria cultural, destacado as práticas adotadas nas revistas O Cruzeiro e A Cigarra, especificamente na década de 1940. Nesse processo, a pesquisa apontou elos entre as fotos apresentadas em Retratos da Bahia e as publicadas nas revistas O Cruzeiro e A Cigarra, entre 1946 e 1951, evidenciando a importância do trabalho fotojornalístico de Verger para a divulgação, em nível nacional, de todo um referencial iconográfico próprio da capital baiana que, sob muitos aspectos, aproxima-se dos referenciais presentes em Jubiabá. Tendo como base signos figurativos e verbais, a análise iconográfica e iconológica realizada priorizou fotografias selecionadas a partir da comparação de padrões presentes nas duas obras, destacando a contribuição de Verger para a afirmação de toda uma identidade visual própria da cidade da Bahia.
Ce travail a pour objectif d´établir des liens entre les photographies qui constituent le livre Retratos da Bahia (Portraits de Bahia) prises entre 1946 et 1951 par Pierre Verger et le roman Jubiabá, publié en 1935 par Jorge Amado, en partant du principe que tous les deux traitent du sujet de la ville de Salvador et ont comme thème principal l´homme du peuple et son existence. Fruit d´une recherche comparative et interdisciplinaire, j´ai cherché à détacher des normes capables d´identifier dans les photos de Verger des éléments intrinsèquement liés aux valeurs et aux pratiques présentes dans Jubiabá, en considérant l´importance du mouvement moderniste et le rôle de l´industrie culturelle, vu les pratiques adoptées dans les revues O cruzeiro (La croisière) et A Cigarra (La cigale), plus spécifiquement durant la décennie de 1940. Selon ce procédé, la recherche a souligné des liens entre les photos présentées dans Portraits de Bahia et celles publiées dans les revues O cruzeiro et A Cigarra, entre 1946 et 1951, mettant en évidence l´importance du travail photojournalistique de Verger lors de la diffusion à un niveau national de tout un système de référence iconographique propre à la capitale bahianaise qui, sous de nombreux aspects, se rapprochent des références présentes dans Jubiabá. Ayant comme base des signes figuratifs et verbaux, l´analyse iconographique et iconologique réalisée a valorisé des photographies selectionnées à partir de la comparaison des normes présentes dans les deux oeuvres, soulignant la contribution de Verger à l´affirmation de toute une identité visuelle propre à la ville de Bahia.

Wednesday, October 06, 2010

Liberdade, liberdade

Foto: Juciara Nogueira
A presença da arte nos espaços urbanos muitas vezes é pontuada pela beleza e convida à reflexão. Na foto, detalhe de um trabalho realizado pelo artista plástico Bel Borba, em Jaguaribe, Piatã.


Wednesday, August 04, 2010

Com o celular

Foto: Juciara Nogueira
Fotografar com o celular: além de ser rápido e prático, é divertido. Esta é da série pelas ruas da cidade (no caso, Salvador).


Imagem e poesia


Blanco

Octavio Paz

Me vejo no que vejo
Como entrar por meus olhos
Em um olho mais limpido
Me olha o que eu olho
É minha criação
Isto que vejo
Perceber é conceber
Águas de pensamentos
Sou a criatura
Do que vejo.

Me vejo

Fotos: Juciara Nogueira

no que


vejo







Monday, March 15, 2010

Palestra em Conceição do Coité


A convite da professora Hanayana Brandão, estive em Conceição do Coité para realizar as palestras Contribuição da fotografia para a linguagem audiovisual e Composição fotográfica na era digital. Os eventos foram na Universidade Estadual da Bahia UNEB Campus XIV.
Sobre o assunto, os universitários postaram no blog conexaosisal. Na foto, alguns alunos com a professora, que está concluindo o Mestrado Multidisciplinar em Cultura e Sociedade na Universidade Federal da Bahia.

Tuesday, February 23, 2010

Descompasso: como e porque o Modernismo tardou a chegar na Bahia

O artigo que produzi e foi tema de minha palestra no V Enecult (conforme já postado), encontra-se publicado no seguinte endereço: http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19289.pdf . Um pouco sobre arte moderna e cultura baiana.

Wednesday, November 25, 2009

Exposição Senso plural na Galeria Cañizares

Quero parabenizar alguns dos meus ex-alunos da disciplina História da Arte Brasileira na Escola de Belas Artes da UFBA pela exposição coletiva Senso plural, que reúne obras dos formandos do curso de Artes Plásticas, 2009.2. Com abertura no dia primeiro de dezembro, às 18 horas, na Galeria Cañizares (Canela), a exposição permanece de dois a 16 de dezembro, das 9 às 18horas. Entre os expositores, Josemar Antonio, Marta Souza e Tanile Maria. Sucesso!!!

AUGUSTE RODIN


Uma das obras mais conhecidas do artista francês Auguste Rodin (1840-1917), O beijo, é destaque na exposição que reúne 62 peças do escultor no Palacete das Artes, em Salvador. O conjunto escultórico foi exposto pela primeira vez em 1887 e recebeu o nome de Paolo e Francesca, como representação do amor intenso e trágico que envolveu Paolo Malatesta e Francesca de Rimini, personagens do círculo do inferno do poeta Dante, autor de A divina comédia. Inaugurada em 26 de outubro, a exposição permanecerá aberta ao público pelos próximos três anos.

Cuide de você: uma bela exposição

O Museu de Arte Moderna da Bahia ficou pequeno para tanta gente. O sucesso da exposição cuide de você - que atraiu um público eclético e atento - não foi sem motivos. a artista francesa Sophie Calle fez o que muita gente faz ou tem vontade de fazer: escancarou seus sentimentos para quem quisesse ver, ouvir e comentar... Mas com muita ternura, refinamento, beleza, multiplicidade, cumplicidade, delicadeza, suavidade, harmonia... E para tanto utilizou-se... da arte!!! Cuide de você é a última frase do e-mail enviado pelo escritor Grégoire Bouillier para a artista, terminando um relacionamento. O e-mail, impresso, foi distribuído para os visitantes da exposição. Após ler e apreciar os depoimentos de mais de uma centena de mulheres sobre o desenlace amoroso, nos sentimos envolvidos pela rede de cumplicidade, feminilidade, humor, experiência, cuidado... Entre 22 de setembro e 22 de novembro, o Museu de arte Moderna da Bahia acolheu uma exposição que, sem dúvidas, ainda vai dar muito o que falar... Quem tiver interesse em saber mais sobre a exposição e o trabalho de Sophie, pode acessar: http://sophiecalle.com.br/ .

Monday, October 12, 2009

Salvador colorida


Foto: Juciara nogueira
O colorido de instrumentos como berimbau, atabaque e tambor acompanha o ritmo musical de Salvador, em tons vivos, alegres, fortes e vibrantes.


Sunday, September 27, 2009

O adro do Convento de Santo Antônio do Paraguaçu

Fachada do Convento de Santo Antônio do Paraguaçu - Cachoeira - BA
O adro, espaço à frente da igreja, é um elemento típico das construções franciscanas, por causa do culto por eles dedicados à Paixão de Cristo.
"Na sua área realizavam-se procissões recriando a via-sacra em torno do cruzeiro que aí existia, especialmente durante a Semana Santa. A sacralização dos espaços públicos era também totalmente condizente com as recomendações do Concílio de Trento.
Em alguns casos estes espaços serão concebidos de modo a acentuar as características cenográficas destas instalações conventuais, caracterizando-as como verdadeiras eflorescências do barroco. Neste sentido destacam-se os dadros dos conventos de Santo Antônio de Paraguaçu e de João Pessoa. Em ambos, o tratamento dado ao espaço limitado por muros arrematados com volutas e pináculos somado à existência de um grande pedestal de pedra que sustentava o cruzeiro, levava ao exterior a grandiosa magnificência presente no restante da edificação".
LINS, Eugênio de Ávila e CARDOSO, Luiz Antônio Fernandes. A arquitetura dos franciscanos no Brasil. In: Portugal Brasil Brasil Portugal. Lisboa: Comissão nacional para as comemorações dos descobrimentos portugueses, 20000. p. 51-63

Thursday, September 10, 2009

Os blogs de alguns ex-alunos, outros blogs e endereços

Aos poucos venho adicionando links de blogs de ex-alunos meus. Quem tiver interesse, vale acessar e acompanhar o que se passa na cabeça dessa turma criativa e cheia de ideais... Além desses, disponibilizarei links de outros blogs e endereços eletrônicos que gosto.

Na era da velocidade



As câmeras digitais estão em plena harmonia com a atualdiade: são rápidas, práticas, fáceis de operar. São maravilhosas, entre outras coisas, porque permitem que o fotógrafo veja logo se a imagem saiu como pretendia ou não. Mas na era da velocidade, não se pode esquecer de que, na fotografia, não basta apenas fazer um montão de fotos achando que ao menos uma vai sair boa. Quem age assim depois se decepciona um pouco, ao ver que não conseguiu 'aquela foto' que buscava.
O modo como se constrói a imagem é muito importante, para que ela possa passar exatamente o que se quer transmitir. É interessante operar com a câmera no manual e brincar um pouco com o foco, com a exposição. Para esta foto, feita na Roda D'água, em Mutuípe, foi priorizada a baixa velocidade, talvez porque já vivemos correndo demais e ir ao contrário do ritmo das coisas - ao menos de vez em quando - revigora as forças, a energia... (dedicada aos meus ex-alunos de fotografia).



Saturday, September 05, 2009

O que é prioridade?



Fotos: Juciara Nogueira

Focar o que vc quer ver. Na fotografia como na vida. Mesmo que qulaquer das opções seja bela, é bom ter a liberdade de escolher o que é prioridade.

Wednesday, August 12, 2009

Adroaldo Ribeiro Costa continua atual na era do are baba

CRÔNICA DE 1972:

UMA CENA DE NOVELA

Adroaldo Ribeiro Costa

Pede-me um jovem que lhe dê instruções aobre como se escreve novela para tevê, e começo por dizer que, naturalmente o escritor deve primeiro familiarizar-se com a linguagem técnica da televisão, coisa que não posso fazer nesta crônica.
Mas o principal, meu jovem, é você enrolar o mais possível, transformando todo diálogo em alféloa. Por exemplo: imaginemos uma cena entre Robernto e Odete, que formam o par romântico da estória...
ROBERTO - Estou decidido: vou partir.
ODETE - Não, Roberto! Você não pode fazer isto!...
ROBERTO - Posso e vou fazer! Esta é uma decisão irrevogável!...
ODETE - Mas Roberto, você já pensou bem nas conseqüências de sua partida, neste momento?
ROBERTO - Sim, já pensei. Em todas as conseqüências. E por isto mesmo é que estou decidido: vou partir!
ODETE - Não, Roberto... Não posso acreditar nisto! Você não vai partir...
ROBERTO - Você me conhece, Odete... Quando eu tomo uma decisão, não volto atrás! Vou partir...
ODETE - E eu, Roberto? Como ficarei?
ROBERTO - Você ficará aqui, é claro. Esperando por mim...
ODETE - Mas por quanto tempo?
ROBERTO - Isto não sei. Até que cumpra a minha missão...
ODETE - Que missão, Roberto? Você está imaginando coisas...
ROBERTO - Não, Odete!... Não estou imaginando... As coisas existem, infelizmente...
ODETE - Não posso acreditar!... Não posso!... Não posso!...
(Neste momento, Odete chora, apanhada em close pela câmara. Roberto vai até elea, abraça-a).
ROBERTO - Não chore! Assim você torna as coisas mais difíceis...
ODETE - (Debulhada em lágrimas) - Diga, Roberto! Diga que você está falando assim para por à prova o meu amor!... Diga que você não vai partir, Roberto!...
ROBERTO - Não, Odete... A verdade é esta mesmo: vou partir!...
ODETE - Mas é inacreditável! Ainda ontem você estava tão satisfeito aqui...
ROBERTO - Eu fingia que estava... Na realidade, eu já estava decidido a partir...
ODETE - Mas você não disse ontem, quando me beijou, que ia partir...
ROBERTO - Não tive coragem... Preferi deixar para comunicar a você na hora da despedida...
ODETE - E a despedida é agora, Roberto?
ROBERTO - É sim!... Eu vou partir agora!...
ODETE - Mas, por que agora?... Por que hoje?...
ROBERTO - Porque já comprei a passagem...
ODETE - Você transfere, Roberto...
ROBERTO - Não! O que tem que ser feito, deve ser feito logo! Eu vou partir! Hoje! Agora!... Adeus!...
ODETE - Não, Roberto!... Assim, não!... Não parta assim!... Dê-me pelo menos um beijo!...
(Roberto hesita. Vê-se claramente que tem medo de beijar e ficar. Mas não tem outro jeito: Odete está agarrada com ele, os olhos fechados, os lábios entreabertos. E Roberto dá-lhe um daqueles de desentupir pia, mas isto no caso da novela se destinar ao horário das 22 horas. Quando o beijo acaba...)
ODETE - Meu amor... Não vá, meu amor...
(Roberto é teimoso. Vai falar, mas Odete se põe na ponta dos pés e taca-lhe outro beijo daqueles que as pessoas ficam enrolando como quem está dançando valsa. A câmara apanha a cena de vários ângulos, enquanto a música de fundo vai subindo muito romântica. Fim do capítulo).
E Roberto parte ou não parte? Isto fica para o próximo capítulo...

SOBRE O AUTOR:
Professor, homem de teatro, cronista, intelectual baiano querido, prestigiado e carismático, Adroaldo Ribeiro Costa deixou, em suas crônicas publicadas no jornal A Tarde, uma bela contribuição para entendermos um pouco como era a cidade de Salvador, especialmente entre 1960 e início de 1980. Sem dispensar uma dose de humor, seu senso crítico ainda hoje nos faz refletir sobre temas que abordou e que continuam atuais. Um exemplo é a crônica intitulada Uma cena de novela, publicada em 3 de outubro de 1972 e que pode ser encontrada no livro Páginas escolhidas 200 crônicas e dois contos, lançado por seu sobrinho, Aramis Ribeiro Costa, em 1999.

Tuesday, August 11, 2009

O Beijo em exposição permanente no MAM


Foto: Juciara Nogueira 2009
O Beijo, escultura em metal do carioca Rubens Gerchman, falecido em 2008, encontra-se em exposição permaente no estacionamento do Museu de Arte Moderna da Bahia. A obra, de 1987, foi criada pela interseção das duas placas recortadas em metal.





Friday, July 10, 2009

Site baiano de humor gráfico

Para quem gosta de cartuns, tá valendo uma passada no site VATAPÁ. O site baiano de humor gráfico reúne feras da área que mostram o velho talento aliado às 'novas' técnicas de ilustração.
Confira no endereço: http://www.humorgraficobaiano.com.br/home.html